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09/2006

Feira Cultural agita o Consórcio

Um dia inteiro marcado por diversas formas de manifestação artística marcou a I Feira Cultural do Consórcio Social Juventude Sampa, organizada por formadores e jovens atendidos pelo programa. O evento, que ocorreu no último dia 14, teve como principal objetivo expandir os horizontes de cada um, criando novas perspectivas e dando espaço à criatividade. “O jovem está aqui protagonizando sua vida, transformando sua realidade, a sua noção de cidadania e, ao mesmo tempo, mostrando que tem talento”, resume Valéria Zanotti, responsável pela organização da Feira. A feira contou com danças, apresentações musicais, peças de teatro e exposições, relacionados a temas como cultura negra e indígena. Amanda Siqueira Silva e seu colega Tiago Ferreira Lima fazem parte do grupo de jovens organizadores do evento. Eles ficaram responsáveis por informar aos colegas os horários de cada apresentação. Amanda conta que um texto de Nelson Mandela foi lido para todos os presentes e que as idéias do líder sul-africano servem para motivar o cidadão a ir em busca de seus sonhos. “Ele ensina que a gente precisa correr atrás do que quer”. Tiago conta que conhece a história de outro líder negro, o norte-americano Malcom X, e diz que já leu sobre o personagem e a sua luta contra o veto decretado por algumas escolas estadunidenses em relação à presença de alunos negros.


Novas amizades

Fabrício Laurentino, Tabata Araújo Carvalho e Fabiano Martins Soares são três alunos do Consórcio que têm algo em comum: são deficientes auditivos. Mas não pense que isto é um grande empecilho para aproveitar a Feira Cultural ou arranjar um emprego. Fabrício é um jovem desinibido e conta que adorou participar da apresentação de música com interpretação para a língua de sinais (libras). Diferentemente do garoto, Tabata pareceu um pouco tímida quando subiu ao palco. “Acho que prefiro ficar escondida no fundo para ninguém me ver”, responde acanhada. Os planos para o futuro destes estudantes já foram traçados: Fabiano conta que deseja trabalhar com informática, enquanto Fabrício fala de sua paixão por gastronomia. “Já faço um ‘bico’ em uma pizzaria. Quero continuar trabalhando com comida e atendendo outras pessoas.” Um dos pontos altos do evento foi o espetáculo do convidado especial, o rapper angolano Way, que nos versos de sua música cantou as mazelas da vida na periferia de seu país, realidade bastante semelhante à do Brasil. Segundo ele, o rap brasileiro é mais engajado e politizado do que o angolano. Mesmo assim fala que os jovens daqui precisam ter orgulho de suas raízes ancestrais. “De todos os meus irmãos brasileiros que conheço, são poucos os que têm consciência e orgulho da África. Isto precisa mudar”, pontua.