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09/2006

Expressão de todas as formas

Para realizar a verdadeira inclusão é necessário considerar todos os aspectos que fazem uma pessoa ser excluída. Para os deficientes auditivos, as dificuldades de comunicação podem significar um fator limitante para a integração com os demais. No Consórcio Social Juventude Sampa, os jovens que podem ouvir tem a possibilidade de aprender a língua brasileira de sinais (libras) e se comunicar com os portadores de necessidades especiais. Rafael Miguel é formador e intérprete de libras no Consórcio e fala um pouco dessa experiência.

Porque é importante incluir o deficiente auditivo em programas como o Consórcio?

É importante o surdo estar aqui porque, assim como os ouvintes, ele tem direito a educação e a um curso bacana que garanta a possibilidade de comunicação e a formação dele. Durante todas as aulas fico ao lado do formador interpretando suas falas em libras. Aliás, não só interpretando aquilo que é ensinado, mas também alguma pergunta que um aluno ouvinte possa ter. Se um aluno surdo tiver alguma dúvida, também interpreto para o formador e para a classe. Na verdade, o Consórcio não estaria incluindo se não tivesse alguém para fazer a língua de sinais. Não bastaria colocar o aluno em sala, são poucos os que conseguiriam fazer leitura labial.

Como os jovens surdos aprendem libras?

Os surdos geralmente aprendem libras em uma escola especial e é de lá que são encaminhados para o Consórcio. A demanda é grande, mas estamos passando por uma falta de intérpretes de libras porque, além das aulas dos dias de semana, os surdos ainda devem passar por aulas de elevação de escolaridade que incluem interpretação de textos, matemática, tudo voltado para o mercado de trabalho. A cada aula o formador problematiza mais as questões e prepara os garotos para um emprego. É relativamente mais fácil auxiliar alguém em cadeiras de rodas, coloca-se uma rampa, mas para um surdo é necessário lidar com comunicação e aí não basta colocá-lo em uma sala de aula.

E para os alunos ouvintes, qual importância em se aprender Libras?

Para o surdo, a língua não é o português falado, são os sinais. Se não houver a comunicação por libras, além de não ser possível o aprendizado, ele não faz novos amigos. Desta forma, a aula de libras permite que os alunos ouvintes criem vínculos de amizade com os colegas surdos. Depois da primeira aula do Consórcio de que o surdo participa, a língua de sinais já é supervalorizada, nós ensinamos o alfabeto, os cumprimentos, os agradecimentos, tudo para melhorar a comunicação. Temos certeza que após o fim do curso os jovens continuarão amigos e a distância entre os ouvintes e o surdo diminuirá. Outra coisa bem interessante é que geralmente os surdos navegam muito na internet e a gente percebe que a rede é um fascínio para eles, pois se comunicam com todo mundo pela escrita com o MSN, Orkut, e-mail...