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08/2006

Educação para a vida

Para oferecer uma formação que vá além da qualificação profissional, o Consórcio Social Juventude Sampa conta com o trabalho da Coordenação Pedagógica. É ali que se discute a metodologia e também os conteúdos que serão ministrados pelos formadores aos jovens. A coordenadora pedagógica Marta Regina Medeiros explica a importância do diálogo constante com os educadores e também do aprimoramento e atualização dos métodos de aprendizagem.

Como funciona a Coordenação Pedagógica?

A coordenação atua em diversas frentes. Primeiro, na seleção dos formadores. Existem conteúdos como cidadania, meio-ambiente, inclusão digital e elevação da escolaridade que compõem o módulo básico inicial do curso que totaliza 400 horas e inclui, por exemplo, o ensino de matemática básica para uso cotidiano. Nosso trabalho foi unir esses conteúdos de forma que eles pudessem se integrar de acordo com a Filosofia, Pedagogia e Cultura da Cooperação. Outro ponto que merece ser destacado é que, na primeira edição, o formador mudava a cada semana, o que se mostrou ineficiente porque o aluno acabava sem referência. Na etapa da zona leste fizemos uma inovação, que foi deixar um formador para o módulo básico inteiro, orientando-o a respeito da importância da união de conteúdos. Já nesta edição, zona norte, foi agregada a inclusão digital, sendo que um formador ministra todos os conteúdos com apoio de monitores de inclusão digital, onde utilizamos 50% das salas de aula presenciais a frente computadores, chamando a atenção dos jovens através do uso da informática. Os formadores acompanham os jovens em atividades externas. Eles já foram ao museu Afro-brasileiro, da Língua Portuguesa, na Estação-Ciência, a empresas etc. E existe também a proposta de visita a cooperativas. O foco é a preparação para o mundo do trabalho e para a vida, tentamos ampliar o conhecimento e a visão dos jovens. E os formadores acabam se tornando uma referência para esse aluno que muitas vezes não tem pai nem mãe. Apesar de curto o tempo de convivência, é possível fazer um trabalho marcante na vida desse jovem.

Como a coordenação trabalha a questão da auto-estima do jovem?

Trabalhamos para que o jovem seja reconhecido em suas habilidades e que isso possa ser passado também para os demais colegas. Um rapaz que tem habilidades distintas, por exemplo em informática, pode ensinar os demais, trocando conhecimento em um processo de cooperação.

E como funcionam projetos acerca de consciência negra?

Já existem formadores do movimento hip-hop e do movimento negro. No ano passado, em novembro, os jovens puderam expor suas produções sobre o tema das mais diversas formas, com artes plásticas, música, dança, teatro, e também por meio de um eixo temático baseado em disciplinas como português, trabalhando as quatro habilidades: ler, escrever, ouvir e falar; mesmo com surdos. Nesse segundo semestre, vamos fazer dois eventos, um é uma Feira Cultural Brasileira para o Dia do Folclore e, a segunda, uma feira de Economia Solidária para que os jovens possam exercitar o aprendizado da sala na prática.