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04/2005
Juventude Sampa transforma realidade de Paulistanos

O Juventude Sampa iniciou as atividades nos centros de referência das zonas Norte e Sul em 14 de março. Desde então, a vida de dois mil jovens paulistanos mudou. Além de receberem formação de trabalhadores-cidadãos, os participantes estão em contato com a realização de Ações Comunitárias para transformar a realidade dos locais onde vivem.

Ana Cristina de Souza, 16 anos, vai ao programa pela manhã e acha que vale a pena o esforço para estar lá às oito em ponto. "As atividades são importantes porque abrem nossa cabeça para a realidade", diz a jovem que quer se especializar em segurança alimentar ou turismo. "Os coordenadores também ajudam a melhorar nossa comunicação e ensinam como a gente deve se apresentar em público", acrescenta.

Já Ede Carlos Almeida dos Santos tem aprendido muito sobre cidadania e meio ambiente. "Só sabia um pouco sobre coleta seletiva", diz o rapaz de 23 anos que quer se especializar em informática. "Os eventos que estamos programando também são legais. Dia 3 de abril vai ter música, dança e teatro. Espero conseguir ser o apresentador", conta com expectativa.

Por sua vez, a coordenação do trabalho aprofundou sua visão sobre a juventude das periferias das grandes cidades, como relata Antonio José Brito, coordenador da área pedagógica do Juventude Sampa.

A quantidade de jovens entre 16 e 18 anos com experiências de trabalho, muitas no mercado informal, chamou sua atenção: "Vários não tinham amparo legal e foram sujeitos a humilhações". São experiências de discriminação, particularmente quando são mulheres ou negros, analisa Brito.

Também foi percebido o envolvimento dos jovens nos cursos. "Eles têm apresentado leituras muito críticas da realidade social e começam a perceber, no Consórcio, como direcionarem seu sofrimento e sua humilhação de formas mais concretas", relata.

Brito comemora as ações dos jovens dentro e fora das salas, como a confecção de cartazes, materiais de comunicação, etc. Ele também destaca o entrosamento entre as turmas e a mobilização para a composição da Ouvidoria, que elegeu os representantes dos grupos.

Antes do início dos trabalhos do Juventude Sampa, foi realizado um "curso para formação de formadores". Brito vê a idéia como uma decisão acertada que unificou diferentes ações de várias instituições sem que estas perdessem sua identidade. Entre os próximos passos do programa está o fortalecimento do projeto metodológico junto às entidades e à juventude. A equipe do consórcio também busca transformar os Centros de Referência em espaços para uso das comunidades.